Lucas Mendes
#tecnologia#programação#educação

Como Iniciei na Tecnologia: Minha Jornada até a Docência em Computação

Minha trajetória desde os primeiros contatos com a programação até o meu trabalho atual como professor federal e pesquisador na área de Ciência da Computação.

Se você chegou até aqui, é porque provavelmente quer saber um pouco mais sobre mim, minha trajetória e o que me motiva a escrever sobre tecnologia e desenvolvimento de software. Então, vamos lá, pegue um cafezinho e me acompanhe! ☕

Aqui eu quero compartilhar um pouco da minha história, das minhas paixões e do que me inspira a escrever sobre tecnologia. Afinal, acredito que a melhor forma de se conectar com as pessoas é sendo autêntico e compartilhando um pouco do que somos. Então, a história é um pouco longa, mas ficarei feliz se você ler até o final. Vamos lá!

#Como tudo começou e como o Java fez parte disso

A minha história com a tecnologia (e, mais especificamente, com programação) começou quando eu tinha por volta de 12 anos, fazendo um curso de informática básica em minha cidade aos sábados, durante 8 meses.

O que me encantou não foram as aulas de Word, Excel, PowerPoint ou Windows XP (sim, meus amigos, ele mesmo 😅). Eu me lembro de encontrar uma apostila de Java, navegando pela Internet no intervalo de alguma aula do curso. Eu não tinha computador em casa, então era naquele laboratório da Advance Informática que eu descobria o mundo que era a Internet e a programação.

Como eu morava na zona rural (roça, sítio, como queiram chamar), computador em casa e o acesso à Internet era um luxo inimaginável para mim naquela época. Então, eu aproveitava cada oportunidade que tinha para ler aquela apostila, seja no laboratório da escola, onde eu fazia o curso, ou em uma Lan House no centro da cidade, onde eu ficava até minha mãe me chamar para ir embora.

Sei que parece meio estranho, mas só de ler e pesquisar sobre programação e, especialmente, sobre Java (sim, gente, eu sou Javeiro…), eu já me sentia parte daquele universo. Era como se eu estivesse desvendando um segredo, descobrindo um mundo novo e fascinante. E, mesmo sem conseguir praticar no computador daquela Lan House (tentei muito…) e não ter acesso a um computador em casa, eu estava imerso naquilo.

Somente 3 ou 4 anos depois, é que consegui ter um notebook, que ganhei do Governo Estadual em uma avaliação externa que fiz na época do ensino médio. Eu sabia programar? Já havia desenvolvido mais do que algumas poucas linhas de código? Não, nada disso. Mas eu tinha uma curiosidade gigantesca e uma vontade enorme de aprender (e, para falar a verdade, ainda tenho).

Nos primeiros dois anos com aquele notebook, eu instalei o JDK (Java Development Kit), salvo engano o Java SE 6 (1.6) ou 7 (1.7), e comecei a praticar por conta própria a partir de conteúdos que encontrava na Internet (quando eu tinha acesso a ela, claro). Eu me lembro de baixar o NetBeans IDE, que era um ambiente de desenvolvimento bem popular para Java na época, e tentar criar meus primeiros projetos. Não saia muita coisa, mas eu estava aprendendo, e isso era o que importava para mim.

Sim, meus amigos, o Java foi a minha porta de entrada para o mundo da programação.

Meme de Java

#O caminho para a faculdade

Já no meu terceiro ano do ensino médio, fiz o ENEM e, em paralelo, prestei vestibular para o curso de Licenciatura em Biologia da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e para o curso de Tecnologia em Telemática do Instituto Federal do Ceará (IFCE), ambos em minha cidade.

Fui aprovado nos dois cursos, mas acabei optando por Telemática, pelo maior alinhamento com meu interesse por tecnologia. Somado a isso, eu tinha a concepção naquela época de que a docência não era para mim (iludido… 😅), e que eu queria trabalhar com programação. O ENEM? Passei para Engenharia Civil, mas não cheguei a realizar nem a matrícula, pois era em outro estado e a nossa condição financeira não era das melhores.

Você pode estar se perguntando: “Por que não tentou Ciência da Computação, ou Análise e Desenvolvimento de Sistemas?” — Bem, para ser sincero, eu não tinha muita noção sobre cursos superiores relacionados à programação, além do que cairia no mesmo problema da distância e da dificuldade financeira.

Se alguém aqui conhece Telemática, ou é por já ter cursado (um seleto grupo), ou por ter algum(a) amigo(a) que fez, ou então você é uma pessoa extremamente curiosa e por algum motivo se interessou em pesquisar sobre o termo “Telemática”. Vou tentar sintetizar, mas saiba que se trata de um curso que tem uma grade curricular bem diversificada.

Em teoria, Telemática é uma mistura de computação, telecomunicações, redes de computadores e um pouco de eletrônica, com o objetivo de te preparar para atuar principalmente na análise, implantação e operação de sistemas de processamento e comunicação de dados. Na prática, acaba sendo um curso com uma grade curricular que tem um pouco de tudo, mas sem aprofundar muito em nenhum assunto específico.

Mas isso não quer dizer que seja um curso ruim, afinal de contas foi através dele que eu consegui uma formação sólida o suficiente para ser aprovado em um concurso público federal para professor na área de Computação em um Instituto Federal (no próprio IFCE), isso aos 20 anos de idade e somente com a graduação.

Logo no primeiro semestre do curso, fiz a disciplina de Lógica de Programação. O professor iniciou pelos conceitos mais básicos, sobre os quais eu já tinha uma boa noção. Mas, mesmo assim, eu me dedicava bastante para acompanhar as aulas e aprender o máximo possível. Na faculdade, o primeiro contato com uma “linguagem de programação” foi com o Portugol (uma linguagem de pseudocódigo em português). Usávamos à época o Visualg, um ambiente de desenvolvimento para Portugol.

Além das atividades propostas na disciplina, eu implementava outros algoritmos/programas por conta própria, apenas para praticar e me divertir com aquilo. Cheguei a criar um programa que reunia diversas pequenas funcionalidades, como um conversor de unidades, uma calculadora simples, até mesmo um jogo da velha e um jogo da forca, tudo em Portugol. Foram quase 2.000 linhas de código (era muito para mim naquela época 🤣).

(Continua…)

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